Evangelho da Quarta

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Estudo do dia 22/11/17

O orgulho e a humildade – Capítulo VII, item 12

 

“Caridade e humildade são os títulos mais eficazes para obter-se a graça diante do Eterno”

 

12 – Homens, por que lamentais as calamidades que vós mesmos amontoastes sobre vossa cabeça? Desprezastes a santa e divina moral do Cristo; não vos admireis de que a taça da iniquidade tenha transbordado por toda parte

 

O mal-estar se torna geral. A quem se deve, senão a vós mesmos, que incessantemente procurais aniquilar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes sem mútua benevolência, e como poderá esta existir juntamente com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos vossos males. Dedicai-vos, pois, à tarefa de destruí-lo, se não quiserdes perpetuar suas funestas consequências. Um só meio tendes para isso, mas infalível: tomai a lei do Cristo por regra invariável de vossa conduta, essa lei que haveis rejeitado ou falseado em sua interpretação

 

Por que tendes em tão grande estima o que brilha e encanta vossos olhos, em lugar do que vos toca o coração? Por que o vício que se desenvolve na opulência é o objeto de vossa reverência, enquanto só tendes olhar de desdém para o verdadeiro mérito, que se oculta na obscuridade?

 

Quando rico libertino, perdido de corpo e alma, apresenta-se em qualquer lugar, todas as portas lhe são abertas, todas as honras lhe são dispensadas, enquanto dificilmente se concede gesto de proteção ao homem de bem que vive de seu trabalho. Quando a consideração que se dispensa às pessoas é medida pelo peso do ouro que elas possuem, ou pelo nome que trazem, que interesse podem ter elas em se corrigirem de seu defeito?

 

Bem diferente seria, entretanto, se o vício doirado fosse fustigado pela opinião pública, como o é o vício andrajoso. Mas o orgulho é indulgente para tudo quanto o agrada. Século de cupidez e de dinheiro, dizeis vós. Sem dúvida; mas por que deixastes as necessidades materiais se sobreporem ao bom-senso e à razão? Por que cada qual deseja se elevar sobre seu irmão? Agora, a sociedade sofre as consequências

 

Não esqueçais que tal estado de coisa é sempre o sinal da decadência moral. Quando o orgulho atinge seu extremo, é indício de próxima queda, pois Deus pune sempre os soberbos. Se, às vezes, os deixa subir, é para lhes dar tempo de refletir e de emendar-se sob os golpes que, de tempos a tempos, desfere em seu orgulho como advertência. Entretanto, em vez de se humilharem, eles se revoltam. Então, quando a medida está cheia, Ele a vira de repente, e a queda é tanto mais terrível, quanto mais alto tiverem se elevado

 

Pobre raça humana, cujos caminhos foram todos corrompidos pelo egoísmo, reanimai-te, apesar disso! Em sua infinita misericórdia, Deus envia poderoso remédio a teus males, inesperado socorro a tua aflição. Abre os olhos à luz: eis que as almas dos que se foram estão de volta para te recordar os verdadeiros deveres. Elas te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas de vossa passageira existência são pequeninas, diante da eternidade. Dirão que lá será maior o que foi menor entre os pequenos deste mundo; que o que mais amou seus irmãos será o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da autoridade, serão obrigados a obedecer a seus servos; que a caridade e a humildade, enfim, essas duas irmãs que se dão as mãos, são os títulos mais eficazes para obter-se a graça diante do Eterno

ADOLFO (Bispo de Alger, Marmande, 1862)